Coronavírus e COVID-19: o que as pessoas com câncer precisam saber

June 25, 2021
Merry Jennifer Markham, MD, FACP, FASCO

Esta publicação foi originalmente escrita para leitores nos Estados Unidos. Foi adaptada para um público internacional. A primeira publicação foi feita em 3 de março de 2020 e foi atualizada mais recentemente em 25 de junho de 2021.

Dra. Merry Jennifer Markham, FACP, FASCO, é a Chefe interina da Divisão de Hematologia e Oncologia da University of Florida (UF), professora médica da Escola de Medicina da UF e diretora adjunta de assuntos médicos no Centro de Câncer da UF. Ela é especialista no tratamento de cânceres ginecológicos. A Dra. Merry é editora adjunta do Cancer.Net para cânceres ginecológicos (em inglês) foi presidente do Comitê de Comunicações sobre o Câncer da American Society of Clinical Oncology (Sociedade Americana de Oncologia Clínica). Siga-a no Twitter @DrMarkham.

Dra. Clarissa Mathias é médica oncologista especializada em câncer de pulmão no Núcleo de Oncologia da Bahia. Ela também está na diretoria da International Association for the Study of Lung Cancer (Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão), é presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e presidente do Comitê de assuntos internacionais da American Society of Clinical Oncology. Dr. Carlos Sampaio é médico oncologista especializado em câncer de mama , é presidente do conselho da AMO e membro do comitê diretivo internacional de qualidade da American Society of Clinical Oncology.

A American Society of Clinical Oncology está ciente de que pessoas com câncer e sobreviventes de câncer, principalmente pessoas com o sistema imune comprometido, provavelmente estão preocupados com o possível impacto da COVID-19 em sua saúde. Os pacientes devem conversar com seus oncologistas e equipes de cuidados de saúde para discutir suas opções para  protegerem-se da infecção.

O que eu preciso saber sobre as vacinas contra a COVID-19?

Há várias vacinas contra a COVID-19 em uso atualmente em diferentes partes do mundo. Nos Estados Unidos, as 2 primeiras vacinas contra a COVID-19 a receber autorização de uso emergencial foram a vacina contra a COVID-19 da Pfizer BioNTech e a vacina contra a COVID-19 da Moderna. A terceira vacina a receber autorização emergencial nos EUA foi a vacina da Janssen, que é feita pela Johnson & Johnson. Embora essas não sejam aprovações oficiais da U.S. Food and Drug Administration (Agência de Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA -FDA), a autorização permite o uso dessas vacinas nos Estados Unidos. Globalmente, outras vacinas estão disponíveis ou em processo de recebimento de listagem para uso emergencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Nos Estados Unidos, a vacina da Pfizer BioNTech é para uso em pessoas com 12 anos de idade ou mais e é administrada em 2 doses, com 3 semanas de intervalo. A vacina da Moderna é para uso em pessoas com 18 anos de idade ou mais e é administrada em 2 doses, com 1 mês de intervalo. A da Janssen é uma vacina de dose única e destina-se a indivíduos com 18 anos ou mais. Apesar disso, o cronograma de administração de dose do local onde você reside pode ser diferente.

Os efeitos colaterais mais comuns esperados das vacinas da Pfizer BioNTech e Moderna incluem dor no local da injeção, cansaço, dor muscular, dor de cabeça, calafrios, dor nas articulações e febre. Os efeitos colaterais devem ser esperados, e esses efeitos colaterais desaparecerão dentro de 3 dias. Algumas vezes, os efeitos colaterais são piores com a segunda dose, mas novamente, esses efeitos colaterais devem desaparecer em até 3 dias. Se você ainda tiver efeitos colaterais mais de 3 dias após a dose da vacina, informe seu médico.

Um efeito colateral raro da vacinação contra a COVID-19 é o inchaço dos linfonodos na axila, que pode ser confundido como um sinal de câncer de mama. Devido a esse efeito colateral incomum, adie sua mamografia por pelo menos 1 mês após receber a vacina contra COVID-19.

Os efeitos colaterais mais comuns da vacina Janssen foram dor no local da injeção, dor de cabeça, fadiga, dores musculares e náusea. A maioria desses efeitos colaterais foi de gravidade leve a moderada e durou de 1 a 2 dias.

Como essas 3 vacinas contra a COVID-19 e outras vacinas em todo o mundo estão disponíveis mediante autorização para uso emergencial e não estão totalmente aprovadas, todos os dados sobre efeitos colaterais inesperados estão sendo monitorados rigorosamente. Quando algo incomum acontece, essas informações são relatadas para a FDA e ao Centers for Disease Control and Prevention (Centros de Controle e Prevenção de Doenças -CDC) dos EUA para que investigações adicionais possam ser realizadas. Por exemplo, 6 pessoas (de mais de 6,8 milhões de pessoas) que receberam a vacina da Janssen relataram ter um tipo raro de coágulo sanguíneo. Por causa disso, houve uma breve pausa na administração da vacina da Janssen para que esses casos pudessem ser analisados e a relação com a vacina pudesse ser determinada. Isso não significa que a vacina seja perigosa. Pausas como esta são um mecanismo de segurança importante e esperado no desenvolvimento de quaisquer medicações ou vacinas novas.

Para vacinas contra COVID-19 que são vacinas de 2 doses, as duas doses são recomendadas para garantir a vacinação completa. Além disso, se você receber a vacina da Pfizer na primeira dose, você também deve receber a vacina da Pfizer na segunda dose. Se você receber a vacina da Moderna na primeira dose, você também deve receber a vacina da Moderna na segunda dose. A mistura das doses das vacinas da Moderna e Pfizer não é recomendada.

É importante observar que se acredita que essas vacinas contra a COVID-19 disponíveis sejam eficazes contra as variantes do vírus, e os dados continuam sendo coletados para que isso possa ser melhor estudado.

A distribuição da vacinação varia de país para país. Verifique com a secretaria de saúde local ou nacional para saber mais sobre como as vacinas estão sendo distribuídas na sua região. Não se sabe se uma vacina de reforço pode ser útil, principalmente em pessoas com o sistema imune comprometido. Essas questões estão sendo estudadas e mais informações estarão disponíveis ao longo do tempo.

Os estudos da vacina contra a COVID-19 incluíram pessoas com quadros clínicos diversos, como doença pulmonar crônica, diabetes e obesidade, mas não incluíram pessoas com câncer ou pessoas que receberam tratamento para câncer. Isso significa que a eficácia da vacina em pessoas com câncer ou em pessoas submetidas ao tratamento contra o câncer é desconhecida neste momento.

Apesar da falta de informações sobre a segurança das vacinas contra a COVID-19 em pessoas com câncer, muitas vacinas são recomendadas para pessoas com câncer, incluindo a vacina contra pneumonia pneumocócica e a vacina contra a gripe. Algumas vacinas podem ser tomadas durante o tratamento do câncer, quando o sistema imune está fraco, mas algumas vacinas, como vacinas com vírus vivos, não devem ser tomadas durante o tratamento do câncer. A vacina contra a COVID-19 não é uma vacina com vírus vivo. 

Especialistas concordam que a vacina contra a COVID-19 é recomendada para pessoas com câncer, sobreviventes de câncer e pessoas atualmente recebendo tratamento contra o câncer, incluindo quimioterapia e imunoterapia. As únicas pessoas que não devem receber a vacina são as pessoas que podem ter uma reação prejudicial, como anafilaxia, a um componente específico da vacina. Converse com seu médico ou sua equipe de tratamento do câncer para ver se alguma vacina contra a COVID-19 é recomendada para você, com base no seu próprio histórico médico. Seu médico também terá mais informações, com o passar do tempo, sobre quando uma vacina estará disponível para você. Leia as perguntas frequentes sobre a vacina contra a COVID-19 e como ela se relaciona com pessoas com câncer. (Este link leva você a um site diferente da American Society of Clinical Oncology, com informações em inglês.)

Depois de ter sido totalmente vacinado, o CDC recomenda a retomada das atividades que você fazia antes da pandemia, sem uso de máscaras ou distanciamento físico. Na maioria dos casos, os indivíduos não são considerados totalmente vacinados contra a COVID-19 até 2 semanas após a dose final da vacina. No entanto, em algumas áreas, talvez ainda seja necessário usar máscara e manter o distanciamento físico, como em hospitais ou clínicas, transportes públicos e outros. Além disso, algumas leis locais, estaduais ou federais ainda podem exigir essas precauções. Certifique-se de ver quais precauções ainda serão exigidas na sua região verificando com seu governo local. 

Nenhuma vacina é 100% eficaz e, às vezes, as pessoas vacinadas ainda podem ter COVID-19, o que é chamado de “infecção atípica”. Esse risco é muito baixo, e é improvável que pessoas vacinadas fiquem muito doentes. Se você tem câncer ou está recebendo tratamento para o câncer, você pode se sentir mais protegido se continuar usando uma máscara quando estiver em público. Consulte seu médico para obter orientações específicas se achar que está apresentando maior risco de complicações decorrentes da COVID-19.

O vírus permanecerá na comunidade até que a maioria dos residentes seja vacinada, portanto, essas precauções são essenciais para prevenir a disseminação contínua do vírus.

Se tiver mais dúvidas sobre a vacina, você pode encontrar as respostas no site da OMS (em inglês).

O que é a COVID-19?

COVID-19, ou doença pelo coronavírus 2019, é uma doença causada por um novo coronavírus que foi identificado pela primeira vez em um surto em dezembro de 2019. 

Coronavírus são uma grande família de vírus que podem causar doenças leves, como resfriado comum, e doenças mais graves, como síndrome respiratória aguda grave (Severe Acute Respiratory Syndrome, SARS) e síndrome respiratória do Oriente Médio (Middle East Respiratory Syndrome, MERS). Como o novo coronavírus está relacionado ao coronavírus associado à SARS (SARS-CoV), o vírus foi identificado como SARS-CoV-2. A origem exata de SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, não está clara, mas provavelmente se originou em morcegos.

O vírus pode se espalhar de pessoa para pessoa, por meio de pequenas gotículas do nariz ou boca que são produzidas quando uma pessoa tosse ou espirra. Outra pessoa pode pegar a COVID-19 ao respirar essas gotículas ou ao tocar uma superfície que tenha essas gotículas e, em seguida, tocar em seus olhos, nariz ou boca. O vírus se espalha através de contato próximo, mas também pode ser se espalhado por transmissão no ar. Em um espaço fechado, as partículas virais podem permanecer no ar por minutos a horas e podem infectar pessoas a mais de 2 metros de distância.

Os sintomas da COVID-19 podem ser moderados a graves e podem aparecer entre 2 e 14 dias após a exposição ao vírus. Os sintomas podem incluir febre, tosse, falta de ar, calafrios, dor de cabeça, dor de garganta e perda do paladar ou odor. Outros sintomas podem incluir dores, fadiga, congestão nasal ou coriza, ou diarreia. Em algumas pessoas, a doença pode causar pneumonia grave e problemas cardíacos, e isso pode levar à morte. Outras pessoas que estejam infectadas podem não desenvolver nenhum sintoma.

A COVID-19 pode ocorrer em crianças e adultos. Os sintomas em crianças parecem ser mais leves que os sintomas em adultos. Crianças com COVID-19 podem apresentar risco de síndrome inflamatória multissistêmica, com sintomas como erupção cutânea, febre, dor abdominal, vômito e diarreia. Os relatos iniciais indicaram que crianças e jovens adultos não foram tão afetados pela COVID-19. No entanto, pessoas de todas as idades, incluindo bebês, podem morrer dessa doença. Além disso, as mortes parecem ocorrer desproporcionalmente em diversas populações, incluindo populações negras e hispânicas.

Uma análise com 928 pessoas com câncer e COVID-19 (disponível em inglês e espanhol), apresentada durante o Programa Científico Virtual da American Society of Clinical Oncology de 2020, revelou que ter câncer ativo e em progressão estava associado a um risco 5 vezes maior de morrer em 30 dias em comparação com pacientes com remissão do câncer.

Os vírus comumente mudam ao longo do tempo através de mutações, e diversas variantes do vírus SARS-CoV-2 foram identificadas. Por exemplo, uma nova variante do vírus foi identificada em setembro de 2020 no Reino Unido e agora está presente em muitos países. Esta variante do vírus espalha-se mais facilmente de pessoa para pessoa, mas não é considerada mais letal.

O que posso fazer para evitar pegar a COVID-19?

Embora 3 vacinas tenham recebido autorização para uso emergencial da FDA, ainda não há vacinas que tenham recebido aprovação formal da FDA. Estudos clínicos para testar a eficácia das vacinas contra a COVID-19 ainda estão em andamento, e a participação nesses estudos continua sendo importante. Esses estudos fornecerão aos cientistas informações valiosas que podem ajudar pacientes e o público em geral a longo prazo. Se você quiser participar de um estudo clínico de vacina contra a COVID-19, o site ClinicalTrials.gov (em inglês) tem uma lista completa dos estudos disponíveis.

A maneira mais importante de se proteger é evitar ser exposto à COVID-19. Fique em casa o máximo possível e evite áreas em que há pessoas reunidas. Evite viagens desnecessárias e siga as orientações sobre restrições de viagem emitidas pelo CDC (em inglês), pelas autoridades locais ou pela OMS (em inglês)

Outra maneira fundamental de se proteger é lavando as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos. Se água e sabão não estiver disponível, utilize um antisséptico para mãos que contenha no mínimo 60% de álcool. A melhor maneira de limpar suas mãos porém, é por meio de água e sabão.

Além de lavar as mãos frequentemente, é importante:

  • Evitar tocar seus olhos, nariz e boca.

  • Utilizar um lenço de papel se você precisar tossir ou espirrar. Em seguida, jogue o lenço fora, ou se necessário, tossir ou espirrar em seu cotovelo em vez de fazê-lo na mão.

  • Evitar o contato próximo com pessoas doentes.

  • Limpar regularmente objetos e superfícies tocados com frequência.

  • Se houver conhecimento de exposição à COVID-19, a limpeza com desinfetante é importante.

Se você não estiver vacinado contra a COVID-19 e estiver em público, é importante usar uma máscara ou pano que cubra o nariz e a boca. Isto pode ajudar a prevenir a propagação da COVID-19 na comunidade, principalmente porque algumas pessoas com COVID-19 não têm sintomas e nem sabem que têm o vírus, ou pode ocorrer de ainda não terem desenvolvido sintomas. Você não deve usar máscaras com válvulas ou ventiladores, pois os ventiladores permitem que suas próprias gotículas respiratórias saiam da máscara e coloquem outras pessoas em risco. O duplo mascaramento, como usar uma máscara de pano ou máscara de náilon sobre uma máscara cirúrgica, é mais eficaz em limitar a transmissão do vírus do que usar apenas uma máscara. O CDC agora recomenda o duplo mascaramento em vez de usar apenas uma máscara. Se você usar apenas uma máscara, ela deve ser bem ajustada ao redor do nariz e da boca.

O uso de máscara facial não substitui o distanciamento social ou físico. Se você estiver em público e não estiver vacinado, você deve fazer ambos: praticar o distanciamento físico de pelo menos 2 metros de outras pessoas e usar uma máscara.

Não há evidências científicas de que tomar zinco ou vitamina C, mesmo em altas doses, possa ajudar a prevenir a infecção por COVID-19. Usar enxaguantes bucais e nasais ou ingerir enxaguantes bucais em grandes quantidades também não prevenirá a infecção e pode ser perigoso.

Há precauções especiais que as pessoas com câncer devem tomar?

As pessoas com câncer, pessoas que estão em tratamento ativo do câncer, pacientes mais idosos e pessoas com outros quadros clínicos crônicos e graves, como doença pulmonar, diabetes ou doença cardíaca, estão em risco mais elevado para a forma mais grave da COVID-19, que pode levar à morte. Dados recentes mostraram que pessoas com câncer ativo ou em progressão podem estar em maior risco do que as pessoas cujo câncer está em remissão. As mesmas regras se aplicam para pessoas com câncer em comparação a pessoas sem câncer: lave bem as mãos e com frequência. Evite tocar o seu rosto, e evite o contato próximo com pessoas que estão doentes.

As pessoas que apresentam maior risco de ficar muito doente com a COVID-19 devem evitar todas as viagens/deslocamentos não essenciais durante este tempo de pandemia da COVID-19. Isso é especialmente importante para pessoas que ainda não foram totalmente vacinadas contra a COVID-19. Se você não for vacinado, fique em casa para reduzir sua exposição ao vírus, pratique o distanciamento físico e evite encontros sociais, incluindo encontros menores com familiares ou amigos que não vivem com você. Use uma máscara ou proteção de pano no rosto e, se necessário, faça uma viagem da forma mais breve possível. Se tiver sido vacinado, você poderá voltar às atividades normais. No entanto, alguns lugares podem continuar a exigir o uso de máscaras e distanciamento físico.

Se você estiver vacinado, as atividades ao ar livre são seguras sem distanciamento físico. Se você não estiver vacinado, você pode caminhar ou fazer exercícios ao ar livre desde que a área não esteja cheia de gente e você consiga manter uma distância de pelo menos 2 metros das outras pessoas.

Um bom plano durante situações de emergência, como a pandemia, é manter medicamentos essenciais suficientes, tanto com receita quanto sem receita médica, para durar pelo menos 1 mês. Crie ou atualize uma lista de contatos de emergência que inclui sua família, amigos, vizinhos e recursos do bairro ou da comunidade que possam estar aptos a fornecer informações ou auxílio se você precisar.

Para manter-se conectado ao seu sistema de apoio, conecte-se com sua família e amigos, virtualmente, por meio de videochamadas ou ligações telefônicas. Alguns exemplos de tecnologia que podem ser usados para chamadas por vídeo ou outras chamadas ao vivo são FaceTime, Zoom, Google Hangouts e plataformas de mídias sociais, como o Instagram e Facebook.

Se você tiver tratamentos para o câncer agendados, converse com o oncologista sobre os riscos e benefícios de continuar ou suspender o tratamento. Se você não tiver um tratamento do câncer agendado, mas tiver uma consulta agendada com o oncologista, pode ser possível para o médico realizar a visita usando videoconferência ou telemedicina. Verifique com sua equipe de tratamento do câncer para saber se isto é recomendado para você.

Finalmente, é sempre importante deixar escrito quais são as suas vontades com relação a atendimento médico, caso você fique doente demais para tomar decisões por si mesmo. Dessa forma, sua família e a equipe médica saberão o que é importante para você e quais são seus desejos. Se você ainda não fez isso, agora é um bom momento. O Cancer.Net tem informações valiosas sobre este assunto (em inglês e espanhol). Como alguns hospitais e clínicas estão limitando visitantes e alguns não estão permitindo visitantes, deixar seus desejos sobre atendimento médico por escrito é mais importante do que nunca. Seguem alguns exemplos de perguntas importantes para fazer a si mesmo, para conversar com seus entes queridos e para anotar:

  • Que nível de qualidade de vida seria inaceitável para mim?

  • Quais são meus objetivos mais importantes se a minha situação de saúde piorar?

  • Se eu for incapaz de falar por mim, quem é a pessoa na minha vida que eu gostaria que falasse por mim?

  • Quem não deve estar envolvido na tomada de decisões por mim?

  • Se eu sofrer uma parada cardíaca, eu quero que seja feita uma RCP (reanimação cardiopulmonar)?

Alguma coisa mudará em relação às minhas visitas médicas relacionadas ao câncer?

Devido a pandemia de COVID-19 e o aumento do risco de exposição ao vírus por sair em público, a maioria dos hospitais e clínicas alteraram suas políticas de visitação. Alguns podem permitir 1 visitante por paciente, e outros podem não permitir visitantes. Máscaras e distanciamento físico provavelmente ainda serão necessários. Antes de ir para a sua consulta médica, verifique com a clínica ou hospital a política de visitantes atual.

A equipe de tratamento do câncer pode mudar algumas de suas visitas para telemedicina. Durante uma consulta de telemedicina, você pode permanecer em casa e consultar o médico ou outro membro da equipe de cuidados de saúde por meio de videoconferência usando seu telefone ou computador. O consultório do seu médico fornecerá instruções sobre como fazer sua consulta dessa forma. Se você estiver interessado em fazer a consulta por telemedicina em vez de presencial, pergunte à equipe do consultório do médico se isso é possível. 

Se a disseminação da COVID-19 estiver alta na sua comunidade, o médico pode recomendar suspender alguns tratamentos de cuidados de apoio, como tratamentos de fortalecimento ósseo, por exemplo, denosumabe (Xgeva) ou ácido zoledrônico (Zometa) ou suplementação de ferro intravenoso. Eles apenas recomendarão suspender os tratamentos, se eles acreditarem que é para o seu benefício fazê-lo. 

No início da pandemia, exames de triagem de câncer, como mamografias ou colonoscopias, e outros exames, como exames de densidade óssea, foram adiados com frequência para reduzir o risco de exposição ao vírus. No entanto, ainda é importante fazer exames de triagem regularmente para o câncer, mesmo durante uma pandemia. O site Back on the Books da Prevent Cancer Foundation [Fundação de Prevenção do Câncer] (em inglês) pode ajudá-lo a obter mais informações sobre a COVID-19 e a triagem segura para o câncer. 

Para pessoas que apresentam maior risco de ter câncer, como as pessoas com uma síndrome cancerígena hereditária, como síndrome de Lynch ou uma mutação no gene do câncer de mama (BRCA), o médico pode recomendar suspender alguns procedimentos de redução do risco de câncer. Eles só recomendarão isso se acharem que é mais seguro para você, com base nas taxas de transmissão de vírus no local onde você mora e no seu próprio risco pessoal. É sempre melhor discutir o momento desses exames e procedimentos com seu médico.

O que devo fazer se achar que eu possa ter COVID-19?

Ligue antes de visitar seu profissional de saúde ou o pronto-socorro se você tiver febre e outros sintomas de uma doença respiratória, tais como tosse e falta de ar. Informe-os também se você acha que possa ter COVID-19. Eles farão perguntas sobre seus sintomas, histórico de viagens, exposição e fatores de risco médico para descobrir se você deve ou não ser testado para COVID-19. Eles lhe darão instruções sobre como ser testado em sua comunidade. É importante observar que, mesmo se estiver vacinado, você ainda pode ter COVID-19, mas o risco é muito baixo e a doença provavelmente será leve.

Uma dúvida comum dos pacientes é sobre para qual médico ligar. Recomendo ligar para o médico com quem você tem mais contato. Se você encerrou seu tratamento do câncer há mais de um ano e estiver se consultando com um médico de assistência básica regularmente, você pode ligar para ele. No entanto, se você estiver se consultando com o seu oncologista mais regularmente ou estiver em tratamento ativo do câncer, ligue para o seu oncologista.

Se você estiver recebendo um tratamento do câncer que suprime o sistema imunológico e desenvolver febre e sintomas respiratórios, ligue para seu oncologista como você faria normalmente se você desenvolvesse febre durante o tratamento. Não se esqueça de seguir a orientação sobre quando comparecer ao consultório ou hospital, e quando é mais seguro ficar em casa.

Sintomas graves podem ser uma emergência médica, e você pode precisar ligar para o SAMU ou serviços de emergência locais. Se você ou o seu ente querido tiver sintomas, como dificuldade para respirar, dor persistente ou pressão no tórax, confusão mental recente ou lábios azulados, você deverá procurar assistência médica imediatamente.

O teste para COVID-19 envolve a inserção de um dispositivode aproximadamente 15 centímetros de comprimento, semelhante a um cotonete, profundamente na cavidade nasal por pelo menos 15 segundos. O dispositivo é inserido em um recipiente especial e enviado a um laboratório para realização de testes. Exames de saliva também estão disponíveis em algumas regiões. Existem vários kits de autocoleta em casa aprovados pela FDA para este vírus (aprovados sob uma autorização de uso emergencial). Esses testes geralmente incluem um questionário de triagem médica e pagamento antecipado, e as amostras são enviadas para um laboratório para testes. A FDA também deu recentemente autorização de uso emergencial para o primeiro teste de venda sem receita médica, para ser feito em casa, que pode fornecer resultados em cerca de 20 minutos. Esse teste envolve um esfregaço nasal que consegue detectar fragmentos do vírus, se estiverem presentes. Você deve conversar com seu médico se estes forem os testes certos para você. Se você decidir fazer um teste em casa, certifique-se de informar a equipe de tratamento do câncer sobre os resultados.

Se houver suspeita de que você tenha COVID-19, você deve ficar em casa e se isolar enquanto você é testado e estiver esperando os resultados do seu teste. Permanecer em casa quando estiver doente é a melhor maneira de prevenir a transmissão do coronavírus e outros vírus respiratórios, como o da gripe, a outras pessoas. Se você vive com alguém, você deve colocar-se em quarentena em uma parte da casa, se possível, para diminuir o risco de o vírus se espalhar para o resto das pessoas que vivem com você.

Se estiver preocupado por ter sido exposto a alguém com COVID-19, preste atenção ao desenvolvimento de sintomas. Verifique sua temperatura corporal regularmente para episódios de febre. Se você tiver câncer ativo ou estiver atualmente em tratamento do câncer, informe sua equipe médica sobre sua possível exposição.

Em 3 de junho de 2020, foi publicado no New England Journal of Medicine um estudo que incluiu 821 pessoas sem sintomas da COVID-19 que tiveram uma exposição à COVID-19 no ambiente doméstico ou no trabalho. Este estudo (em inglês) mostrou que o tratamento com hidroxicloroquina após a exposição a alguém com COVID-19 não proporcionou nenhum benefício.

Existe uma forma de descobrir se já tive COVID-19?

Testes de anticorpos, também conhecidos como testes sorológicos, foram desenvolvidos, e esses testes podem descobrir se você já teve infecção por COVID-19, identificando se há anticorpos no sangue. Os anticorpos são proteínas específicas feitas pelo corpo em resposta a uma infecção.

Os testes de anticorpos não são perfeitos. Algumas pessoas que contraem COVID-19 podem não produzir anticorpos. Ou elas podem ter níveis de anticorpos muito baixos. Algumas pessoas podem ter um teste de anticorpos “falso positivo”, o que significa que o teste encontra os anticorpos, mas os anticorpos estão relacionados a um outro coronavírus e não à COVID-19.

Os testes de anticorpos não devem ser usados para fazer um diagnóstico atual da COVID-19. Pode levar entre 1 e 3 semanas após a infecção para que o corpo produza anticorpos.

Se você tiver tido uma infecção por COVID-19, seja diagnosticada por meio de um teste do vírus ou um teste de anticorpos, é possível (mas não certo) que você tenha imunidade por cerca de 3 meses. No entanto, se sintomas suspeitos se desenvolverem nesse período de 3 meses após a infecção por COVID-19, outro teste para COVID-19 é recomendado, a menos que haja outra causa óbvia para esses sintomas.

Se eu tiver tido COVID-19, serei capaz de continuar o tratamento do câncer?

Se você tiver um resultado positivo para COVID-19, você deve conversar com o seu oncologista sobre o impacto disto no tratamento do câncer. Alguns centros de tratamento para câncer podem exigir um teste negativo para COVID-19 antes de recomeçar a quimioterapia ou outro tratamento do câncer. No entanto, alguns pacientes com COVID-19 continuam a apresentar teste positivo mesmo após se recuperar dos sintomas. Nessa situação, sua equipe de profissionais de saúde considerará os riscos e benefícios de reiniciar o tratamento do câncer apesar do teste positivo. Alguns tratamentos, principalmente os que não prejudicam o sistema imune (ou imunológico) , podem ser mantidos, especialmente se você tiver tido um resultado positivo para o vírus, mas não tiver sintomas ou tiver apenas sintomas leves.

Quando o tratamento do câncer for retomado, é importante usar uma máscara ao chegar na clínica de infusão ou centro de tratamento do câncer e praticar uma boa higiene das mãos usando um antisséptico ou lavando as mãos antes e após as visitas.

Existem outros tratamentos disponíveis para COVID-19?

Não há cura para a COVID-19. Os cientistas estão trabalhando com afinco para desenvolver e testar tratamentos para a COVID-19. Pesquisas clínicas são estudos que envolvem pessoas. Trabalhando muito rapidamente, os pesquisadores e médicos têm desenvolvido pesquisas clínicas para encontrar tratamentos eficazes para esta doença. Pesquisas clínicas para os possíveis tratamentos da COVID-19 estão agora abertas em muitos locais nos Estados Unidos e em outros países. Se você tiver sido diagnosticado com o coronavírus e decidir participar de um estudo clínico para pacientes com COVID-19, você poderá receber essas medicações. Além disso, ao entrar em um estudo clínico, sua participação ajudará os cientistas a encontrar o tratamento mais eficaz e seguro para a doença.

O remdesivir, um medicamento antiviral, pode ser útil no tratamento de infecções por COVID-19. O medicamento recebeu uma autorização de uso emergencial da FDA em 1.º de maio de 2020 e se tornou o primeiro tratamento aprovado pela FDA para COVID-19 em 23 de outubro de 2020. O remdesivir é aprovado para pacientes com COVID-19 que necessitam de hospitalização. Ele pode diminuir o tempo de internação, mas não previne a morte.

O banlanivimabe é um tratamento de anticorpos administrado pela veia (via intravenosa) que recebeu autorização de uso emergencial da FDA em 9 de novembro de 2020 para o tratamento de pessoas com idade a partir de 12 anos que apresentam resultado positivo para o vírus SARS-CoV-2 e que estão em risco de ter COVID-19 grave ou hospitalização. Este medicamento ainda está sendo estudado em estudos clínicos, mas as informações iniciais parecem sugerir que ele pode reduzir hospitalizações ou visitas ao pronto-socorro para alguns pacientes. Outros dois anticorpos intravenosos, casirivimabe e indevimabe, receberam autorização de uso emergencial da FDA em 21 de novembro de 2020 para o tratamento de COVID-19 leve ou moderada em pacientes com alto risco de desenvolver doença mais grave. Esses 2 anticorpos são administrados em conjunto. Nenhum desses anticorpos mais recentes é para pessoas que estão recebendo oxigênio ou que estão hospitalizadas.

A dexametasona, um medicamento esteroide, pode ser benéfica para pacientes em estado crítico com COVID-19. Um relatório do U.K. Recovery Trial [Estudo de Recuperação do Reino Unido] (em inglês) descobriu que a dexametasona pode ajudar a salvar vidas no caso de pessoas que precisam de oxigenoterapia ou estão usando ventilação. Nesta população de pacientes muito doentes, a administração de dexametasona resultou em uma taxa mais baixa de morte em 28 dias. O medicamento não parece ajudar em casos de doença leve.

Plasma convalescente é a porção líquida do sangue que pode ser coletada a partir de pessoas que tenham se recuperado da COVID-19. Este plasma pode ter anticorpos ao SARS-CoV-2. O plasma convalescente está sendo estudado em estudos clínicos como um possível tratamento, e a FDA concedeu uma autorização de uso emergencial para isso em 23 de agosto de 2020. No entanto, seus benefícios e riscos ainda não foram confirmados em estudos clínicos randomizados. Se você se recuperou totalmente de uma infecção por COVID-19, você poderá fornecer seu plasma a um banco de sangue em sua área para potencialmente ajudar outras pessoas.

A hidroxicloroquina (Plaquenil) pareceu inicialmente promissora como um possível tratamento para a COVID-19, mas após vários estudos clínicos terem relatado dados sobre sua segurança e eficácia, essa medicação não foi considerada útil. A hidroxicloroquina não é recomendada para o tratamento da COVID-19, isoladamente ou em combinação com quaisquer outros medicamentos.

A versão da cloroquina (fosfato de cloroquina) é utilizada como um aditivo para limpar aquários de peixes. O consumo deste aditivo de aquário levou a pelo menos 1 morte e outros eventos de  superdosagem. Não consuma este produto — ele pode te matar.

Beber alvejante ou injetar alvejante ou outros desinfetantes domésticos é muito perigoso e pode matar você. Outro tratamento proposto a ser evitado é a oleandrina, um extrato que vem de um arbusto tóxico. Ingerir até mesmo uma pequena quantidade da planta pode matá-lo. Esses não são tratamentos para a COVID-19 e não ajudarão a preveni-la.

Não tome ivermectina, um medicamento usado para tratar parasitas e piolhos da cabeça. Os produtos de ivermectina são produzidos de forma diferente para animais e humanos. A ivermectina não é um medicamento antiviral. Não foi demonstrado que tomar este medicamento é útil no tratamento da COVID-19. Consumi-lo, principalmente nas doses recomendadas para animais, pode ser perigoso e pode resultar em superdosagem, hospitalização e morte.

Como voltamos a escola ou trabalho com segurança?

Em todo o mundo, há decisões variadas em relação a abertura de escolas e escritórios. Nos Estados Unidos, funcionários públicos locais e estaduais trabalharam com sistemas escolares para planejar as aberturas das escolas. Algumas escolas oferecem apenas educação presencial, um pequeno número de escolas é completamente virtual e outras ainda oferecem uma combinação das duas.

Se você ou seus filhos estiverem retornando para a escola presencialmente, o uso de uma máscara facial que cubra o nariz e a boca em todos os momentos é importante para reduzir o risco de disseminação. Se o distanciamento físico for possível, faça isso. Use desinfetante para as mãos com frequência e lave as mãos sempre que possível. Fique em casa ou mantenha as crianças em casa se elas estiverem doentes ou com febre.

Ao retornar ao trabalho presencial, as mesmas regras se aplicam. Ser vacinado contra a COVID-19 é a abordagem mais segura. Se você não estiver vacinado, evite grandes aglomerações de pessoas, pratique o distanciamento físico o máximo possível e use uma máscara o tempo todo. Limpe as mesas e outras superfícies frequentemente tocadas com certa regularidade. Se houver conhecimento de exposição à COVID-19 no espaço, é importante limpar com lenços desinfetantes. Não vá para o trabalho quando estiver doente ou com febre.

Por fim, certifique-se de tomar a vacina contra gripe. Isso pode ajudar a proteger você e as pessoas ao seu redor.

Quando as coisas voltarão ao normal?

As taxas de infecção pelo vírus flutuaram desde o início de 2020, mas o vírus não desapareceu e provavelmente não desaparecerá tão cedo. O número de casos e o número de mortes decorrentes do vírus flutuam em várias comunidades. À medida que as vacinas contra a COVID-19 se tornam mais disponíveis, espera-se o retorno ao normal, mas o acesso às vacinas varia de país para país. Até que a maioria dos cidadãos do seu país seja vacinada ou tenha imunidade, o uso de máscaras e o distanciamento físico continuam sendo importantes, principalmente em ambientes fechados e para pessoas que não estão vacinadas. É provável que as máscaras continuem sendo necessárias em ambientes de atendimento médico.

As taxas de infecção pelo vírus flutuaram desde o início de 2020, mas o vírus não desapareceu e provavelmente não desaparecerá tão cedo. O número de casos e o número de mortes decorrentes do vírus flutuam em várias comunidades. À medida que as vacinas contra a COVID-19 se tornam mais disponíveis, espera-se o retorno ao normal, mas o acesso às vacinas varia de país para país. Até que a maioria dos cidadãos do seu país seja vacinada ou tenha imunidade, o uso de máscaras e o distanciamento físico continuam sendo importantes, principalmente em ambientes fechados e para pessoas que não estão vacinadas. É provável que as máscaras continuem sendo necessárias em ambientes de atendimento médico.

Se você decidir comer em um restaurante, é mais seguro comer do lado de fora, e você ainda deve usar uma máscara se não estiver vacinado, a menos que esteja comendo ou bebendo. As pessoas vacinadas podem se sentir mais confortáveis em retomar atividades pré-pandemia, como jantar em um restaurante e fazer compras.

Muitas pessoas acreditam que um resultado de teste negativo para COVID-19 significa que é seguro reunir-se com amigos ou familiares fora da sua casa. No entanto, isso não é verdade. É importante lembrar que um resultado de teste negativo para COVID-19 significa apenas que a pessoa era negativa no momento desse teste. O teste fornece apenas informações sobre o nível de vírus no momento exato do teste. Alguém pode ter COVID-19, mas ainda não ter vírus suficiente para apresentar um resultado positivo. Além disso, esses testes não são 100% precisos.

A abordagem mais segura, principalmente se você for considerado de alto risco e se não estiver vacinado, é continuar vivendo como se as restrições de ficar em casa ainda estivessem em vigor. Se você foi vacinado, agora é possível começar a voltar aos eventos sociais.

Se você tiver dúvidas sobre seu risco pessoal devido ao câncer ou ao tratamento do câncer, fale com seu médico para obter orientações.

Onde posso obter as informações mais recentes sobre a COVID-19?

É importante permanecer atualizado sobre as informações mais recentes sobre o surto da COVID-19. Os CDCs e as secretarias de saúde locais e estaduais têm informações atualizadas que confirmam se a doença foi diagnosticada na sua comunidade.

Essas informações também estão disponíveis em inglêsespanhol, árabe (PDF) e russo

Share your thoughts on this blog post on Cancer.Net's Facebook and Twitter.